Meta-Cognição
Não foi o fogo,
nem a roda,
nem a linguagem
que fizeram o humano tocar o impossível.
Foi o instante
em que a mente,
curvando-se sobre si,
descobriu que também podia ser horizonte.
Pensar
é construir e criar
Pensar o próprio pensamento
é inventar o infinito.
Cada consciência
que observa a si mesma
abre uma dimensão
que não ocupa espaço,
mas profundidade.
Ali,
o tempo deixa de ser medida
e passa a ser espelho.
O eu contempla o eu,
que contempla o mundo,
que contempla o universo,
até que o universo,
silenciosamente,
começa a contemplar-se
através dos olhos humanos.
A meta-cognição
não é apenas reflexão.
É a gravidade
que curva o espírito
na direção do absoluto.
É a dobra secreta
onde o finito
aprende a respirar
o ar do ilimitado.
Toda transcendência
nasce desse retorno:
o pensamento
que regressa à própria origem
e, ao encontrar-se,
descobre que nunca foi apenas indivíduo,
mas um vértice
da consciência cósmica.
A ultra dimensão humana
não se mede
por distâncias,
nem por velocidades,
nem por geometrias ocultas.
Ela mede-se
pela capacidade
de transformar
o observador
no objeto observado,
e ambos
na mesma luz.
Talvez a consciência suprema
se houver um nome
para a inteligência que sustenta o ser,
não esteja acima do homem,
O absoluto simples acontece
sempre
que uma consciência
ultrapassa o espelho
e percebe
que o universo
é o acto contínuo
de conhecer-se
através de infinitas formas.
Então,
a transcendentalidade
não é fuga da matéria.
É a matéria
lembrando-se
de que sempre foi
consciência em expansão.
E a meta-cognição
é a primeira porta.
Não a última.
Porque além dela,
cada resposta
desfaz-se em pergunta,
e cada pergunta
abre uma dimensão
que ainda não possui nome,
mas já pulsa,
silenciosa,
no interior
da mente
que ousou
observar
o próprio ato
de existir.
Jorge Levi